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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Jovens possuem maior influência sobre consumo


A agência BOX 1824, especializada no estudo de tendências de comportamento e consumo, lançou recentemente um vídeo que traz o resultado de diversos estudos realizados pela empresa nos últimos cinco anos. De acordo com as pesquisas, os jovens com faixa etária de 18 a 24 anos são responsáveis por grande influência na maneira como o consumo contemporâneo se comporta. Essa parcela da população ocupa atualmente o topo da pirâmide de influência do consumo pois servem de modelo para os mais jovens e de inspiração para os mais velhos. Outra conclusão alcançada é em relação ao crescimento do poder do compra dos jovens de hoje em dia em comparação ao de seus pais quando possuíam essa mesma idade.

Criada pelos publicitários Rony Rodrigues e João Paulo Cavalcanti, a Box 1824 (www.box1824.com.br) realiza mapeamento de tendências de consumo pelo mundo todo e já prestou consultoria para diversas empresas dentre as quais Unilever, Fiat, Nokia, Pepsico e Melissa.

Veja a seguir o vídeo We all want to be young:

We All Want to Be Young (leg) from box1824 on Vimeo.



Nerdbox, o blog voltado para o público nerd


O site Nerdbox é um blog voltado para o público nerd, como o próprio nome sugere. Além de trazer diversas novidades sobre o universo geek, o blog também traz críticas de filmes e seriados, cobertura completa de eventos como o Video Game Live e diversas promoções que já presentearam os leitores com action figures - estatuetas de personagens de filmes e histórias em quadrinhos -, ingressos para o VGL e livros.

Lançado há 1 ano e meio, o blog também conta duas colunas fixas.O Nerd no Ringue traz divertidas crônicas cotidianas de um rapaz nerd, já a Fashion Geek tem como foco o mundo da moda e as tendências voltadas para esse público que se identifica com o óculos fundo de garrafa.

Para o próximo ano, o blog pretende ampliar sua atuação com a produção de vídeos e também de um podcast mensal.Para ficar sempre por dentro das novidades ou apenas divertir-se com posts bem humorados sobre assuntos nerds, basta acessar www.nerdbox.com.br e seguir o perfil do Twitter, @thenerdbox.

Onde a criatividade é recompensada

O kickstarter (www.kickstarter.com) é um site que pretende reunir boas ideias empreendedoras com pessoas que buscam boas ideias nas quais investir. Lançado em abril de 2009, a plataforma de crowd funding - financiamento coletivo - tem foco no trabalho de artistas, cineastas, músicos, designers, escritores, ilustradores, dentre muitos outros. Afinal, projetos culturais geralmente são os que possuem mais dificuldade para conseguir financiamentos.

Qualquer pessoa pode divulgar seu projeto e estipular um orçamento necessário para concretizá-lo. Cada proposta possui um prazo diferente para conseguir arrecadar todo o dinheiro necessário. Caso o valor total das doações não alcance a meta determinada inicialmente, nenhum dólar é repassado para o autor do projeto. Para conseguir se manter, o kickstarter fica com 5% do dinheiro arrecadado, como uma espécie de comissão.

Além de atrair a “solidariedade financeira” das pessoas com suas ideias, os criadores dos projetos também podem atrair contribuições oferendo pequenas recompensas como uma cópia autografada do cd, no caso de um músico. As recompensas podem variar de acordo com o valor da doação e jamais pode se oferecer retorno financeiro para o investimento.

O projeto que recebeu maior quantidade de backers - termo utilizado para designar aqueles doam dinheiro - e que ultrapassou pela primeira vez o total de 500 mil dólares foi do designer americano Scott Wilson. Se trata de uma pulseira de relógio na qual pode ser acoplado um Ipod Nano. A ideia é transformar o gadget em um relógio touchscreen multifuncional. No total, 9.810 contribuíram com um dólar ou mais, que resultou em US$ 687 mil arrecadados, 4.484% a mais sobre o orçamento inicial.

Atualmente, o site atua em território americano, mas a ideia é expandir os negócios para outras partes do mundoo. Todos os pagamentos são feitos através do site Amazon Payments.

Hedwig e o centímetro pastelão

Fiquei pensando em como começar a escrever sobre a noite de hoje. Se começava pensando em um título agressivo ou se simplesmente falava sobre a vontade de chorar que tudo o que vi me provocou. Decidi começar dizendo que sou leiga em teatro. Apesar de ter conhecidos no teatro e de já ter, inclusive, subido ao palco no mínimo umas dez vezes, me julgo completamente leiga nesta arte. Não conheço grandes diretores, nem grandes atores, muito menos grandes peças. Falo isso tudo pra dizer que minha visão sobre a montagem de Hedwig que está em cartaz no Teatro das Artes, na Gávea, é meramente a visão de uma espectadora apaixonada por Hedwig.

Vi o filme Hedwig and The Angry Inch por indicação da pessoa que assitiu a peça comigo. O que presenciei durante as duas horas de peça foi um absoluto descaso com o sentimento da história passada no palco. Um absoluto descaso com o que significa Hedwig no mundo. E não digo somento no mundo gay, digo no mundo inteiro. O sentido da história dentro de todas as referências incríveis que faz, desde o Banquete até os bares sujos de Nova Iorque, foi ignorado. Ou talvez não. Não foi ignorado, mas sim transformado em um dos maiores atentados ao drama que já vi. Evandro Mesquita tranformou um dos maiores dramas do mundo gay em uma comédia pastelão digna de Zorra Total. Recheada de piadas clichês e de atuações fracas, Hedwig passa de um ícone a uma travesti fake que não faz diferença se montada por Paulo Vilhena ou por Chacrinha.

Já não esperava muita coisa da peça, para dizer a verdade, mas o que se passou naquele palco foi muito menos do que esperava. E não só no palco, a plateia gargalhava ao som de piadas fracas e antiquadas. Conseguiram arrancar um riso de mim quando citaram a R. Prado Jr em Copacabana, onde se pode fazer de tudo: ir ao açougue, comprar roupas e vender o corpo. Talvez esta tenha sido minha única risada sincera, as outras risadas foram para a vergonha que senti da triste versão para Wicked Little Town que o ator Paulo Vilhena tenta, inutilmente, cantar e transformar em algo mais emocionante. As letras, traduzidas a maioria ao pé da letra, não rimam, não se encaixam nas melodias, deixando sempre um pedaço pra fora, uma coisa solta no ar.

Para que não me acusem de somente falar mal da peça, vamos às coisas boas: A banda não é de todo mal, as músicas mais rock'n roll conseguem animar a peça. A atriz que contracena com Paulo Vilhena e Pierre Baitelli, Eline Porto, tem uma voz incrível. Alcança notas lindas e suas expressões faciais convencem. O ator Pierre Baitelli, que divide de forma surpreendente (sim, eles mantém uma ótima sincronia) o papel de Hedwig com Paulo Vilhena, também tem seus momentos altos e encarna a travesti com mais vontade do que seu parceiro de palco. Paulo Vilhena só consegue algum tipo de sensação ao final da peça, quando tira a peruca, a roupa e assume uma visão triste de uma travesti devastada pela vida, dando a Hedwig um pouco de consolo.

De resto, a peça é toda de um mal-gosto interminável. Saí da sala do teatro com vergonha de ter presenciado tudo aquilo, triste por ver uma história tão bonita ser reduzida a fragmentos, triste por ver minutos de possível emoção serem invadidos por piadas forçadas e sem sentido. A peça não se faz entender, a história não é contada, o público nem sequer chega perto do drama vivido pela personagem. A sensação que tive foi que a peça Hedwig entrou nos palcos brasileiros deixando uma parte para trás (assim como Hedwig ao cruzar o muro de Berlim): deixou toda a sua intensidade, seu drama, sua beleza fora de cena.

E foi com lágrimas nos olhos de revolta e de tristeza que levantei da cadeira e saí. E mais revoltada ainda fiquei ao ver o público sorridente, satisfeito com tamanha troça. E não há outra palavra que, para mim, defina o que se passou.

E concluou que, de fato a peça faz juz a frase machista que Evandro Mesquista usa para apresentá-la: "Ser um transexual nos anos 80, e ainda na Alemanha, tinha que ser muito macho!" Um retrato triste de como fazer teatro pode se tornar um ato descompromissado de se exibir e apenas provocar risadas, a qualquer custo.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Livro de Robert Capa chega ao Brasil


A editora Cosac Naify lançou neste mês de dezembro o livro Ligeiramente fora de foco, com registros da Segunda Guerra Mundial feitos pelo consagrado fotojornalista Robert Capa (1913-1954). A obra chega ao Brasil 63 anos após a data em que foi publicada pela primeira vez nos EUA, em 1947. Ao longo de suas 292 páginas, é possível encontrar relatos escritos pelo próprio fotógrafo - que sonhava em ser escritor - não apenas de sua experiência profissional como correspondente da guerra, entre 1942 e 1945, mas também de sua vida privada. A conviência com John Steinbeck e Ernerst Hemingway, que eram seus amigos, e sua namorada, a atriz Ingrid Bergman, compõe parte desse diário pessoal feito por Capa.

O fotógrafo húngaro consagrou-se com fotos incríveis de diversas guerras. Para ele, “se sua foto não está boa o suficiente, você não está perto o suficiente”. Sua ousadia deixaram para histórias diversas fotos que estabeleceram parâmetros para fotografias de guerra. O sobrenome eleito por ele, que na verdade se chamava Endré Friedmann, representava a maneira que ele escolheu para realizar seu trabalho. Cápa significa tubarão em húngaro. Infelizmente, sua falta de cautela resultou em sua morte, ao pisar em uma mina durante a primeira guerra da Indochina.

O livro começa com o convite da revista Collier’s para que Capa faça registros do combate na Europa. Nessa época, Capa era uma figura em destaque por conta de suas fotos da Guerra Civil Espanhola. Sua foto mais famosa, inclusive, foi tirada durante esse conflito. A imagem, que eterniza o exato momento em que um homem é baleado, é polêmica até hoje, pois muitos indagam se a cena não teria sido montada.


The falling soldier tirada na Guerra Civil Espanhola (foto:Robert Capa)

O título da obra foi tirado de uma afirmação do próprio fotógrafo que dizia que suas imagens eram “ligeiramente fora de foco, um pouco sub-expostas e a composição não é nenhuma obra de arte”. A edição brasileira, que teve tradução realizada por José Rubens Siqueira, traz o prefácio original de Cornell Capa, irmão mais novo de Robert. O preço é R$ 60,00.

Fotos do desembarque na Normandia no Dia D (Robert Capa,1944)