A internet estarias prestes a fracassar? é isso que acredita Douglas Rushkoff,escritor e professor de estudos de mídia da Universidade New School nos EUA, que gentilmente cedeu essa entrevista via e-mail para acabar com as nossas dúvidas sobre a WEB.
Para ele a relação entre as pessoas e a rede é hoje sinônimo de uma única palavra: mudança. "No início quando a tecnologia era mais rudimentar e ainda havia uma certa aura de conhecimento envolvendo a então nova invenção, estar online significava o início de uma fascinante jornada de investigação. Agora, as pessoas encontram tudo o que querem em poucos segundos", contou.
A consequência disso seria que os internautas passaram a se contentar com rápidas e simples respostas, que ficam no meio do caminho entre a questão e a investigação. "Não que a internet fosse mudar as pessoas, mas ela poderia ser uma ferramenta para as pessoas mudarem o mundo.", disse o escritor.
Para Rushkoff, é importante considerar o estímulo positivo que ela teve ao fomentar grandes discussões, sem é claro, ignorar que hoje ela se distancia de um caminho alternativo que poderia ajudar a formar um mundo melhor. Através da internet continuamos a fazer as mesmas velhas compras e negócios, sem que isso nos dê o mínimo para promover transformações realmente fundamentais.
Mas não é hora de perder as esperanças. O professor acredita que para que a internet possa desenvolver novos valores e relações humanas é preciso que as pessoas utilizem interfaces mais complexas e diferentes dos facebooks e twitters de hoje.
"As pessoas teriam que entender algo essencial: que os diferentes ambientes virtuais que elas hoje habitam são programados por pessoas e grandes empresas na tentativa de nos encorajar a pensar da maneiras como elas querem.", explicou.
Na teoria, a proposta é boa. A prática é mais complexa. A verdade é que ainda estamos muito longe de formar um exército de programadores.Rushkoff concorda.Vamos torcer por melhoras.
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segunda-feira, 5 de julho de 2010
domingo, 4 de julho de 2010
A busca pelo alternativo
Lançado em 2008 pela Editora UFRJ, Comunicação e Contra-hegemonia é um grito em favor de uma mídia menos excludente, construída pelas mãos dos dominados. O livro, organizado por Eduardo Coutinho, professor da Escola de Comunicação, reúne grandes nomes do Brasil e do mundo, que contam experiências em que o alternativo conseguiu transparecer em uma comunicação prioritariamente elitista.
Guiados pelo pensamento de Gramsci, os autores apresentam formas de reagir ao hegemônico, através de diferentes iniciativas de organização. A obra por si só é uma maneira de se colocar contra o que é veiculado pela grande mídia. Nesta entrevista, o autor-organizador Eduardo Coutinho discutiu a importância da tecnologia no movimento contra-hegemônico, explicou o poder da televisão na disseminação de informação e garantiu que é possível lutar contra a visão dominante.

Coutinho é também escritor dos livros Os Cronistas de Momo: imprensa e carnaval na primeira República, Velhas Histórias e Memórias Futuras: o sentido na tradição na obra de Paulinho da Viola e Mídia e Poder: ideologia, discurso e subjetividade.
Heryka Cilaberry: Qual o principal conceito abordado pelo livro?
No livro estão reunidos ensaios que debruçam sobre diferentes processos culturais e comunicacionais chamados aqui de contra-hegemônicos. Ou seja, processos de comunicação que surgem da necessidade da população de construir novas formas de consciência, novas visões de mundo: uma nova hegemonia.
HC: E quais seriam as alternativas para construir essa hegemonia diferente?
A pequena mídia, os movimentos performáticos da juventude, movimentos na periferia que envolvem a utilização da internet, rádios comunitárias. Na verdade, são poucos, mas importantes. Claro que estamos em absoluta desvantagem contra a grande mídia, mas nós podemos falar ainda. Não morremos. As pessoas ainda são capazes de se expressar. Mesmo uma conversa pode ser considerada processo comunicacional contra-hegemônico, uma palestra, uma aula. A internet tem a sua importância hoje na criação de uma cultura alternativa. Claro que ela foi também assimilada pelos donos da mídia, mas existe a possibilidade de falar.
HC: Então, a tecnologia pode ajudar nesse movimento?
Diferentemente da comunicação de massa, em que os senhores da indústria falam para a população que ouve de forma passiva, o que o Muniz Sodré chamou de “monopólio da fala”. Na internet, existe a possibilidade de o indivíduo responder, de formular suas próprias ideias. De dizer não! Não sou um tecnófilo que acredita que a tecnologia sozinha vai resolver o problema da comunicação, mas eu acho que ela pode ser um instrumento. A internet é também um terreno de luta pela cultura.
HC: É exagero repetir a famosa ideia de que a mídia é o quarto poder da atualidade?
Eu acho que a mídia é o instrumento de poder mais efetivo. Não é exagero não. Há duas formas de dominação: a de coerção física, a que se dá através da força, da polícia, do aparato judiciário, e também a que se dá pela busca do consenso do dominado, pela persuasão. Todos os aparelhos tradicionais de hegemonia, escola, sindicato, partido, igreja, associações profissionais, estão enfraquecidos. Hoje, o grande aparelho é a mídia eletrônica. É ela que persuade, anestesia diariamente as massas, possibilitando a dominação.
Guiados pelo pensamento de Gramsci, os autores apresentam formas de reagir ao hegemônico, através de diferentes iniciativas de organização. A obra por si só é uma maneira de se colocar contra o que é veiculado pela grande mídia. Nesta entrevista, o autor-organizador Eduardo Coutinho discutiu a importância da tecnologia no movimento contra-hegemônico, explicou o poder da televisão na disseminação de informação e garantiu que é possível lutar contra a visão dominante.
Coutinho é também escritor dos livros Os Cronistas de Momo: imprensa e carnaval na primeira República, Velhas Histórias e Memórias Futuras: o sentido na tradição na obra de Paulinho da Viola e Mídia e Poder: ideologia, discurso e subjetividade.
Heryka Cilaberry: Qual o principal conceito abordado pelo livro?
No livro estão reunidos ensaios que debruçam sobre diferentes processos culturais e comunicacionais chamados aqui de contra-hegemônicos. Ou seja, processos de comunicação que surgem da necessidade da população de construir novas formas de consciência, novas visões de mundo: uma nova hegemonia.
HC: E quais seriam as alternativas para construir essa hegemonia diferente?
A pequena mídia, os movimentos performáticos da juventude, movimentos na periferia que envolvem a utilização da internet, rádios comunitárias. Na verdade, são poucos, mas importantes. Claro que estamos em absoluta desvantagem contra a grande mídia, mas nós podemos falar ainda. Não morremos. As pessoas ainda são capazes de se expressar. Mesmo uma conversa pode ser considerada processo comunicacional contra-hegemônico, uma palestra, uma aula. A internet tem a sua importância hoje na criação de uma cultura alternativa. Claro que ela foi também assimilada pelos donos da mídia, mas existe a possibilidade de falar.
HC: Então, a tecnologia pode ajudar nesse movimento?
Diferentemente da comunicação de massa, em que os senhores da indústria falam para a população que ouve de forma passiva, o que o Muniz Sodré chamou de “monopólio da fala”. Na internet, existe a possibilidade de o indivíduo responder, de formular suas próprias ideias. De dizer não! Não sou um tecnófilo que acredita que a tecnologia sozinha vai resolver o problema da comunicação, mas eu acho que ela pode ser um instrumento. A internet é também um terreno de luta pela cultura.
HC: É exagero repetir a famosa ideia de que a mídia é o quarto poder da atualidade?
Eu acho que a mídia é o instrumento de poder mais efetivo. Não é exagero não. Há duas formas de dominação: a de coerção física, a que se dá através da força, da polícia, do aparato judiciário, e também a que se dá pela busca do consenso do dominado, pela persuasão. Todos os aparelhos tradicionais de hegemonia, escola, sindicato, partido, igreja, associações profissionais, estão enfraquecidos. Hoje, o grande aparelho é a mídia eletrônica. É ela que persuade, anestesia diariamente as massas, possibilitando a dominação.
HC: Quando a mídia começa a apresentar tanto poder?
Isso começa a acontecer com o surgimento da rádio nos anos XX, quando a correlação de forças culturais no interior da sociedade é drasticamente afetada, porque o rádio já surge como instrumento de dominação, controlado pelos fascistas. Com o surgimento da televisão isso é elevado à enésima potência. É muito difícil você querer contrapor um jornal de bairro a uma mídia que fala com a população inteira ao mesmo tempo, com recursos, técnicas, com muito dinheiro investido e discurso sedutor. É difícil lutar contra isso, mas é possível.
Isso começa a acontecer com o surgimento da rádio nos anos XX, quando a correlação de forças culturais no interior da sociedade é drasticamente afetada, porque o rádio já surge como instrumento de dominação, controlado pelos fascistas. Com o surgimento da televisão isso é elevado à enésima potência. É muito difícil você querer contrapor um jornal de bairro a uma mídia que fala com a população inteira ao mesmo tempo, com recursos, técnicas, com muito dinheiro investido e discurso sedutor. É difícil lutar contra isso, mas é possível.
HC: Então, não houve diminuição do poder de dominação com o fim da ditadura militar?
Hoje há a continuação do momento do regime militar. Na época, havia censura, a truculência e a Globo. A emissora nasce e se torna o que é durante esse período. Surge com o capital norte-americano e se desenvolve como porta-voz do Sistema. A ditadura terminou, mas ela continua ali. Não precisamos mais dos instrumentos de coerção que havia no passado até porque a população já está anestesiada. A Globo cumpre essa função.
H.C: Qual é a sua participação como autor?
Eu falo da existência de vozes dissonantes dentro da grande mídia. Cito, por exemplo, o jornalista José Oiticica, Raul Pederneira, J. Carlos, profissionais que colaboravam para uma visão de mundo nacional-popular na primeira metade do século. Contavam a história da nação a partir de uma perspectiva subalterna.
H.C: Contribuem para o livro expoentes da comunicação no Brasil e no exterior, como Martín-Barbero e Muniz Sodré. Qual foi o critério usado para reunir esses autores?
Quando resolvi escrever o livro, procurei me lembrar de quem trabalhava com esse tema na Escola de Comunicação, no Brasil e no exterior. Foi um pouco mais fácil juntar esse time, pois são pessoas com quem eu já havia tido contato anterior, com quem eu tenho afinidade ideológica.
H.C: Qual o ponto em comum entre os autores?
Todos esses artigos se debruçam sobre diferentes iniciativas de organização da cultura a partir de uma perspectiva popular. Essa é a grande questão presente em Gramsci. Como os diferentes grupos sociais fazem para organizar sua consciência? Os grupos dominantes dispõem dos seus aparelhos de hegemonia: a grande mídia, seus partidos, associações, igreja, a universidade. Os grupos subalternos também dispõem de alguns instrumentos de hegemonia. Como esses instrumentos são colocados a serviço da sistematização de uma consciência crítica? É isso que os autores procuram discutir.
Confira: Alice versão para o iPad
Uma dica para os adeptos à leitura digital é a versão para o iPad do livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Caroll. A experiência super divertida permite ao leitor interagir com os personagens e objetos da trama. Através do mais novo gadget da Apple, você pode fazer Alice aumentar ou diminuir de tamanho, chacoalhar objetos da história e até mesmo derrubar a coroa da Rainha de Copas.
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segunda-feira, 17 de maio de 2010
iPad de luxo

Se você acha que qualquer extravagância pode ser justificada em nome da tecnologia, então você precisa conhecer a Gold Edition do iPad. Das mãos do designer Stuart Hughes, especialista em transformar gadgets em jóias, a nova versão do tablet é revestida a ouro 22 quilates.
O leitor de livros com 64GB e conexão 3G possui 53 diamantes 25,5 quilates formando o logo da Apple. O preço é salgado -129.995 libras (cerca de R$ 343 mil) - e o produto super exclusivo. No total, são apenas dez unidades do modelo disponíveis para a compra. Agora, só resta saber se há público para eles.
Padaria britânica avisa pelo Twitter quando sai pão quentinho
O Twitter traz uma novidade. Um aparelhinho batizado de BakerTweet que permite aos padeiros avisar aos seus clientes assim que um pão quentinho sai do forno. O gadget ainda é exclusividade do Albion Cafe, em Londres.
O movimento na cozinha do estabelecimento pode ser acompanhado pela conta do Twitter @albionsoven e os posts ainda vêm ilustrados. O BakerTweet foi criado pela agência Poke e tem como objetivo permitir que "empresas comuniquem em tempo real suas ofertas, preços e estoques".
As mensagens são enviadas a partir de um aparelho sem-fio que fica instalado na parede da cozinha do estabelecimento e é muito mais simples de operar que um computador. Basta escolher o produto girando uma botão e apertá-lo para enviar uma mensagem pré-elaborada.
BakerTweet from POKE on Vimeo.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Playboy em 3D

Gostou da foto? Então prepare-se para vê-la em 3D. Isso mesmo, a edição de junho da revista Playboy americana trará óculos que permitem enxergar as curvas da coelhinha Hope Dworaczyk em três dimensões. A novidade para o ramo impresso, visa reverter a queda nas vendas da revista, cuja circulação caiu de 3,5 milhões de exemplares em 2006 para 1,5 milhão no ano passado.
"Tentamos todo o tempo fazer coisas criativas e inovadoras para nossos leitores", explicou Theresa Hennessey, porta-voz da revista masculina. Theresa relembrou o sucesso da edição de novembro de 2009, quando a personagem do desenho animado “Os Simpsons”, Marge Simpson, realizou um ensaio fotográfico e foi capa da publicação.
Para Hugh Hefter fundador da Playboy adotar essa nova tecnologia é uma maneira de agradar seu público leitor: "O que as pessoas mais querem ver em 3D? Provavelmente, uma mulher nua", disse ele. Apesar da iniciativa, Hefter disse não ser um entusiasta do 3D. "Filmes em duas dimensões são OK para mim", contou.
Para custear os óculos encartados na revista, a "Playboy" contou com a ajuda do canal HBO, que buscava uma maneira original de promover a série "True Blood". As fotos foram tirados com equipamento especial para permitir o efeito tridimensional. Os leitores poderão ver Dworaczyk "saltar" das páginas da publicação, já na próxima sexta-feira (14-05), quando a revista chega às bancas americanas.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Google e Verizon unidos contra Apple
O gigante da internet Google está trabalhando com a operadora de telefonia Verizon no desenvolvimento de um concorrente para o iPad, revelou hoje (12-05) o Wall Street Journal. Em entrevista ao periódico, o CEO da Verizon, Lowell McAdam, disse que a empresa está analisando a possibilidade de tornar o tablet uma "grande experiência" através da inserção de arquivos do Google no aparelho. O comentário de McAdam é uma alusão ao bem-sucedido sistema de busca de livros oferecido pelo site de pesquisa.
O CEO não forneceu mais detalhes sobre este projeto conjunto, mas ambas as empresas têm acelerado colaborações indiretas nos últimos meses. Verizon tem especial destaque em suas ofertas de celular Droid modelo da Motorola, que funciona com o Android, o sistema operacional do Google. A operadora de telefonia se esforça para recuperar o atraso em relação à concorrente AT & T que hospeda a internet sem fio da Apple.
A internet 3G ainda é em grande parte um mercado para telefones. Mas aparelhos como computadores, tablet, netbooks e leitores eletrônicos estão experimentando um rápido crescimento. Com consumidores cada vez mais interessados em dispositivos sem fio, as operadoras telefônicas tentam compensar a queda de receita das chamadas de telefone com navegação em Internet ou aplicativos para softwares.
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