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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Promotores do MP-RJ denunciam Thyssenkrupp CSA por crimes ambientais

A empresa Thyssenkrupp CSA Siderúrgica do Atlântico (TKCSA), o diretor de projetos da companhia, Friedrich-Wilhelm Schaefer, e o Gerente Ambiental Álvaro Francisco Barata Boechat foram denunciados pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro por crimes ambientais. De acordo com a ação penal, a TKCSA gera poluição atmosférica continuamente desde junho desse ano, em níveis capazes de provocar danos à saúde humana, afetando principalmente os que vivem próximo à usina, em Santa Cruz.


A empresa e os executivos são acusados de quatro crimes ambientais, sendo o principal deles o derramamento de ferro-gusa em poços ao ar livre, sem qualquer controle de emissões. Em contato com o solo, o ferro-gusa provoca a emissão de toneladas de material em partículas, podendo causar problemas respiratórios, doenças de pele, irritação de mucosas.


Um estudo realizado pelo Instituto de Geociências da UFRJ atestou o aumento de 600% na concentração média de ferro na área de influência da TKCSA, em relação ao período anterior ao início da operação. Apontou, ainda, a superação do nível máximo legal tolerável para a concentração de poluente atmosférico, acima do qual a saúde da população pode ser afetada.


Segundo o Promotor de Justiça Daniel Lima Ribeiro, Coordenador do Grupo de Apoio Técnico Especializado (GATE) Ambiental, “uma usina siderúrgica do porte da CSA, construída em pleno ano 2010, não pode deixar de adotar tecnologia de controle adequada, capaz de prever e captar qualquer emissão de poluentes atmosféricos ou hídricos”.


As penas podem ultrapassar 19 anos de reclusão para cada um dos dirigentes. Há ainda a possibilidade de multa, suspensão total ou parcial de atividades e interdição temporária de direitos, como proibição de contratar com o Poder Público, receber incentivos fiscais ou quaisquer outros benefícios e participar de licitações, pelo prazo de cinco anos.

Trinta anos sem Lennon

Hoje se completam 30 anos da morte de John Lennon, ex-integrante dos Beatles. Lennon foi assassinado na noite de 8 de dezembro de 1980, em frente ao edifício de luxo Dakota, onde morava no Upper West Side de Manhattan, em frente ao Central Park. Ao retornar para casa com a esposa Yoko Onu, o Beatle era aguardado, sem saber, por Mark David Chapman, fã que havia lhe pedido um autógrafo em seu LP Double Fantasy, no mesmo local e no mesmo dia, algumas horas antes. Chapman disparou quatro tiros em Lennon pelas costas, que caiu no chão sangrando muito, e que minutos depois seria levado por uma viatura de polícia ao hospital St. Luke's-Roosevelt, aonde chegaria morto.

Chapman foi preso, pois permaneceu no local após cometer o assassinato. Em seu julgamento, o assassino alegou ter encontrado no livro O apanhador no Campo de Centeio uma mensagem que dizia para matar John Lennon e, ainda, que escutava vozes em sua cabeça dizendo o mesmo. Desde 1981 ele cumpre pena de prisão perpétua no presídio de Attica, em Nova York, e teve seu pedido de liberdade condicional negado seis vezes, devido à "natureza incomum" de seu crime.

O longa-metragem canadense Chapter 27, lançado em 2007, retrata Chapman nos três dias que antecederam o assassinato, e no momento em que o cometeu. O título é uma referência ao livro onde teria encontrado a mensagem para matar o músico. O livro contém 26 capítulos e o 27º capítulo seria a continuação da história, uma vez que Chapman por vezes confundia sua personalidade com a do protagonista fictício Holden Caulfield.


Intercâmbio em Salamanca

Para os estudantes universitários de graduação, o intercâmbio representa mais que somente o curso na faculdade de destino, mas uma experiência enriquecedora em diversos sentidos. Tendo que lidar com uma cultura desconhecida, o jovem intercambista apreende todos os sentidos que o mundo à sua volta lhe proporciona, conhecendo pessoas, lugares e costumes diferentes.

Segundo o Setor de Convênios e Relações Internacionais (SCRI) da UFRJ, os destinos mais procurados pelos estudantes são França e Espanha. A cidade de Salamanca, localizada na região de Castilla y León, fica a duas horas de Madri e é uma das cidades espanholas mais ricas em monumentos da Idade Média, do Renascimento e das épocas clássica e barroca.

A tradicional Universidad de Salamanca é hoje uma das instituições universitárias mais prestigiadas da Europa, atraindo estudantes de toda a Espanha e de todo o globo. São mais de 35 mil alunos matriculados, e o número de estudantes estrangeiros é o mais elevado de toda a Espanha. Foi fundada no ano de 1218 e é a mais antiga universidade da Espanha e, assim como a Sorbone de Paris, uma das mais antigas do mundo.

A Plaza Mayor, edificada entre 1729 e 1755, é o coração dessa cidade pequena e cosmopolita, e reúne os moradores e visitantes ao longo de todo o dia, até mesmo no inverno rigoroso. A chegada da primavera é um acontecimento na cidade, e é quando a Plaza Mayor parece mais cheia do que nunca, pois após os meses de frio, os moradores aproveitam os dias mais quentes para tomar sorvete na praça e passar a tarde tomando sol.

Além do ensino de qualidade, o estudante que vai à Salamanca encontra: muitas opções de festas, que ficam lotadas todos os dias da semana; um custo de vida relativamente barato, quando comparado a outras cidades européias; muitos espaços públicos, como praças e parques; facilidade de viajar e conhecer muitos lugares da Europa. Desse modo, a experiência de intercâmbio na cidade oferece a oportunidade de enriquecer tanto o currículo como a vida pessoal do estudante.


Sites de compra coletiva

Os sites de compra coletiva, que já existiam nos Estados Unidos, surgiram no Brasil no início desse ano e são hoje uma febre na internet. Oferecem a possibilidade de comprar vouchers para tratamentos de beleza, restaurantes, hotéis, teatros e muitos outros. O negócio funciona da seguinte forma: um site oferece uma oferta de 50% até 90% em determinado produto ou serviço, durante um período de tempo. Após finalizar a compra, o cliente espera a oferta encerrar e, caso seja atingido o número mínimo de compradores, em até 24h o cupom estará disponível na sua conta do site. Segundo Júlio Vasconcellos, criador do pioneiro Peixe Urbano, na maioria das situações o mínimo é batido por muito: “a gente teve uma iogurteria no Rio de Janeiro que o número mínimo era 50, e a gente vendeu 23 mil frozen yogurts em 24 horas, que é o número que eles vendem em três meses”, diz ele em entrevista para o Jornal da Globo.


Os sites de compra coletiva refletem uma tendência da internet, que é a difusão do empreendedorismo na juventude. A maioria dos criadores desses sites, assim como a maioria dos mais de 150 funcionários do Peixe Urbano, tem entre 25 e 30 anos de idade. O Peixe Urbano já tem mais de um milhão de usuários, e utiliza a plataforma de pagamentos do PagSeguro, que garante total segurança e sigilo dos dados transmitidos. Para os consumidores, a maior novidade – além dos descontões, é claro - é ter que lidar com o tempo limitado das ofertas, o que às vezes acaba determinando uma compra por impulso. Outra característica é que as ofertas vão até o consumidor, e com os preços baixos fica difícil resistir à compra de produtos que não se estava precisando ou desejando até então.


As ofertas dos aproximadamente 40 sites de compra coletiva do Brasil podem ser encontradas no site Saveme, que reúne todas elas.

Soluções para o trânsito do Rio


O trânsito no Rio de Janeiro parece cada dia mais intenso. A possibilidade de adquirir carros, decorrente do aumento do poder de compra é celebrada pela população e representa, em nossa cultura, a melhoria de qualidade de vida. O crescimento desordenado da frota de veículos e o conseqüente aumento da emissão de gases poluentes emitidos, no entanto, prejudicam o meio ambiente, aumentando o efeito estufa e a poluição do ar, elevando os riscos de desenvolvimento de doenças respiratórias. Segundo cientistas, a concentração de gás carbônico na atmosfera alcançou níveis nunca vistos em 420 mil anos, e essa situação vai perdurar por 200 anos. Isso sem contar o trânsito, que piora cada dia mais e deixa os cariocas mais estressados, precisando de um tempo maior para chegar a seu destino, e vivendo em meio ao risco do iminente colapso na circulação viária.

Segundo uma matéria publicada na última segunda-feira pelo site G1, foram produzidos 3,36 milhões de veículos no Brasil de janeiro a novembro. Em comparação com o mesmo intervalo do ano passado, que registrou o total de 2,93 milhões de unidades, o acumulado fecha com alta de 14,6%. O volume registrado nos 11 meses de 2010 já supera todo o ano de 2009, que havia fechado com 3,18 milhões, e o ano recorde de 2008, que tinha registrou 3,21 milhões de unidades.

A situação é séria, mas grande parte da população não se dá conta, seja por falta de informação ou de conscientização. A disciplina relativa ao meio-ambiente, que deveria ter obrigatoriedade instituída nos ensinos médio e fundamental, nem mesmo está na grade no curso de Jornalismo da Escola de Comunicação (ECO) da UFRJ. A falta de investimento em transportes públicos também reduz as opções de locomoção dos cariocas, que precisam enfrentar ônibus e trens lotados. O metrô do Rio conta atualmente com 47 km de trilhos distribuídos em duas linhas e 35 estações, o que representa muito pouco quando comparado a cidades como Londres, Madri e Buenos Aires. O metrô de Londres, por exemplo, é o mais antigo e extenso do mundo, contando com aproximadamente 400 km de trilhos distribuídos em 11 linhas e surpreendentes 268 estações.

No contra-fluxo, duas novidades foram anunciadas na última sexta-feira (03/12). As novas medidas tomadas pelo Banco Central para conter o crédito terão impacto maior nos financiamentos de veículos sem entrada e de longo prazo concedidos a partir desta segunda-feira (6/12), e devem afetar o consumo de veículos e a indústria automobilística. Nos financiamentos de 24 a 36 meses, o consumidor terá de pagar pelo menos 20% da entrada para não cair na restrição. Se a venda tiver prazo de 36 a 48 meses, a entrada mínima será de 30%. De 48 a 60 meses, a proporção aumenta para 60%. Para empréstimos de mais de 60 meses, a restrição será aplicada independentemente da entrada.

A segunda novidade é o incentivo da Prefeitura do Rio de Janeiro ao uso do ônibus com tecnologias limpas, capazes de reduzir a emissão de gases do efeito estufa em mais de 30%. Na última segunda-feira começou a testar um ônibus híbrido elétrico da montadora sueca Volvo, que circula pela Zona Sul e Centro na linha 172 (Rodoviária-Leblon). No mesmo dia foi assinado um convênio de cooperação técnica entre Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMAC) e a Fetranspor, para que práticas sustentáveis sejam incentivadas no setor transportes.


Juventude Tricolor

Por mais lugar comum que pareça, o futebol é realmente difícil de entender. A maneira aparentemente irracional que leva os torcedores a agirem é, na verdade, pura razão passional, que só quem sente pode compreender. Aqueles que não se envolvem muito com o esporte bretão costumam fazer maus julgamentos daqueles loucos que dormem na fila por ingressos e que choram de alegria ou tristeza depois de uma partida de 90 minutos.

No último domingo foi assim. O Fluminense, que não ganhava o Campeonato Brasileiro desde 1984, venceu o Guarani por um a zero, levando a torcida a um estado de êxtase que nem o temporal conseguiu abalar. Muitos jovens tricolores que estavam no Estádio João Havelange – o Engenhão – nesse dia, haviam passado por momentos inesquecíveis antes de ver, pela primeira vez, o Fluminense ser campeão brasileiro.

Em 1995, o atacante Renato Gaúcho fez o gol de barriga que deu o título do Campeonato Carioca ao time, vencendo o favorito Flamengo. A partir daquele ano, no entanto, veio a prova de fogo de qualquer tricolor, quando o time atravessou seu momento mais nebuloso, tendo chegado a ser rebaixado para a terceira divisão do futebol brasileiro, em 1998. Nesse momento, muitos abandonaram as três cores que traduzem tradição, o que é, de certa forma, compreensível. Para continuar, era necessário que o amor pelo Tricolor estivesse consolidado.

Na última década, o time se reergueu, mas não foi sem perdas: a torcida diminuiu, e os que sobreviveram guardariam aquela dor por muito tempo. O lado positivo foi a força que esse desastre trouxe aos remanescentes, pois apenas o amor incondicional ao time pôde fazer com que a torcida lotasse o Maracanã nos jogos da Série C. Esse amor merecia recompensa, e ela veio alguns anos depois.

O primeiro passo foi discreto, porém emocionante. Gol de nuca do zagueiro Antônio Carlos no último minuto e o Fluminense sagrou-se campeão carioca de 2005. Dois anos depois, o tricolor levaria o título de Campeão da Copa do Brasil, que garantia que no ano seguinte estaria na disputa da Copa Libertadores da América.

Na Libertadores de 2008, cada jogo foi especial. A cada partida, uma festa diferente e mais bonita da torcida, sempre lotando o “Maior do Mundo”. Cânticos apaixonados levaram o time à final do torneiro sul-americano. Porém, os que estavam lá viram o que seria um dia especial se transformar em tristeza. Uma oportunidade dessas, no maior torneiro do continente, não retornaria tão cedo.

A torcida sentiu, mas dessa vez não se abatera tanto. O amor pelo Tricolor estava mais forte, mais consolidado. Assim seguiram juntos, chegando a 2009, quando o sofrimento dos apaixonados parecia não ter fim: mais uma vez, o Fluminense se encaminhava para a desgraça, e novamente era ridicularizado pelos adversários.

Mas dessa vez havia algo de diferente: os torcedores apaixonados não queriam aquela dor mais uma vez. Transformaram-se, então, em guerreiros, e aos gritos de incentivos transformaram aquele grupo de jogadores desacreditados em guerreiros também. Torcida e Jogadores eram um só, bravos que não se entregavam até o ultimo minuto.

O Fluminense seguiu batendo todos seus oponentes no Campeonato Brasileiro, e encontrou ao mesmo tempo a Copa Sul-Americana, um torneio menos importante que a Libertadores, mas que então parecia o combustível necessário para os guerreiros. Em uma semana o Fluminense, de outrora membro certo da série B do ano seguinte, agora estava a uma partida de se sagrar campeão da Sul-Americana e de se livrar do rebaixamento iminente.

E assim veio mais uma derrota: Sul-Americana perdida no Maracanã – por ironia do destino, pela LDU do Equador, mesmo adversário que vencera o tricolor na Libertadores, em 2008. A situação ainda poderia piorar, pois alguns dias depois aconteceria a última partida do Brasileiro, que definiria o descenso.

E o que ninguém acreditaria que fosse possível aconteceu. O resultado final assegurou ao Fluminense a permanência na primeira divisão, consagrando uma das mais belas reações já vistas no futebol, visto que o time chegou a ter calculado pelos estatísticos 98,3% de possibilidades de cair, não podendo perder e tendo que ganhar a maioria dos últimos 11 jogos do campeonato para se salvar, e isso aconteceu em campo.

Aquele time passou a ser conhecido como Time de Guerreiros, em todo o território nacional, após se livrar do rebaixamento. Para um clube como o Fluminense, escapar da degola não é mais que obrigação, mas devido às circunstâncias, aquela fuga foi comemorada como um título.

A tragédia se transformou em um épico. Com poucas mudanças, os Guerreiros do time e da torcida seguiram para 2010 visando um futuro mais promissor. No final do ano em questão, o Fluminense se fazia presente, prestes a entrar em campo na partida que determinaria se ele seria campeão brasileiro. Quem diria que o time que quase havia sido rebaixado estaria no ano seguinte brigando pelo título que não chegava há 26 anos?

Na final do último domingo, a torcida de Guerreiros lotou o Engenhão, após muitas horas em intermináveis filas. Cada um ali tinha, provavelmente, uma historia de dificuldade para conseguir seu ingresso. Eram muitas crianças e jovens, e para eles seria o primeiro titulo de campeão brasileiro visto em vida.

O jogo começou e os 40 mil Guerreiros da Arquibancada faziam novamente uma festa surpreendente. Os Guerreiros do Campo se matavam por cada dividida, honrando a camisa tricolor. Era necessário apenas uma simples vitória, e ela teimava em não aparecer.

As chances de gol não apareciam, e a torcida ficava cada vez mais apreensiva. O primeiro tempo acabou, e a torcida aplaudiu o time, mesmo não tendo jogado bem. Era normal, os jogadores estavam nervosos, e era muita responsabilidade e esperança depositada nos ombros de 11 homens. Foi então que todos os sentimentos deixaram lugar para um só, aos 16 minutos do segundo tempo: era o gol do título, o gol da redenção. É nesse instante que todo sacrifício do futebol vale pena. O abraço coletivo e os apertos de mão emocionados tornam qualquer esforço para estar ali válido.

Até o apito final, a esperança tomou lugar do medo e era quem caminhava junto da ansiedade, tão grande que não esperou até o último minuto. Os gritos de campeão já ecoavam antes mesmo do fim, e se tornaram uníssonos quando o juiz decretou o fim da partida.

Para a torcida no futebol, descrever o sentimento se torna impossível. Uma grande bandeira no Engenhão dizia: ”Somente o que sentimos justifica o que fazemos”, e isso representa cada Guerreiro que esteve do lado do Fluminense, seja em qual momento tenha sido.

No dia seguinte o Rio amanheceu pintado de três cores, e cada tricolor sentiu-se mais digno e mais recompensado. O hino do clube diz: ”Vence o Fluminense com o verde da esperança, pois quem espera sempre alcança”. De fato, a espera foi longa e semeada com dor, mas, mesmo assim, cada tricolor sente que o tempo foi necessário e tornou o sabor da vitória melhor.