quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Pesquisa mostra números da web no Brasil

O Brasil é o país da internet. Segundo levantamento do Ibope Nielsen OnLine, os brasileiros ocupam o primeiro lugar no ranking do povo que mais tempo passa na rede. Com 26 horas e 15 minutos por semana, o Brasil é seguido por Reino Unido, 25 horas, França, 24 horas e Alemanha, 23 horas e 53 minutos.

A pesquisa ainda afirma que o número de usuário ativos da internet residencial chegou a 25,5 milhões em março de 2009, um crescimento de 12% em relação ao mesmo mês do ano passado. Porém, se levar em conta outras formas de acesso como trabalho, lan houses e bibliotecas, o número de internautas, segundo o Ibope Nielsen OnLine, pode alcançar a marca de 62,3 milhões.

Para o analista de mídia do Ibope Nielsen OnLine, José Calazans, o principal responsável pelo crescimento dos pc’s é popularização da banda larga.

Samba na era 2.0

No mundo da música, a ordem é deixar a nostalgia de lado e se infiltrar nas novidades da Web 2.0. Principalmente pelas plataformas do MySpace, site onde artistas divulgam vídeos, canções e fotos, e Orkut, as novas caras do samba e choro vêm mostrando que usar a internet é uma das formas de manter viva a cultura brasileira.


Para Edu Krieger, violonista e apresentador do programa Vozes da Lapa na Roquette Pinto, a dependência das gravadoras chegou ao fim. “Não dependo mais de departamentos de marketing das gravadoras ou de assessorias de imprensa, que geralmente custam caro. Qualquer um pode ter acesso ao meu trabalho, basta clicar no mouse e pronto, está tudo lá.”



Já Marcos Tannuri, do grupo de choro
Camerata Brasilis, ressalta que as redes sociais possibilitam um fortalecimento dos laços com os fãs. “O artista pode se comunicar diretamente com o público sem a necessidade de intermediários. Assim, o público se sente mais próximo do artista e o artista pode conhecer melhor seu público. Um exemplo é a liberdade que o público tem de opinar e dar suas sugestões diretamente ao artista e este de responder ao público.”


Krieger completa que essa relação virtual acaba sendo refletida para o ambiente de shows. “No meu caso, como sou naturalmente irreverente e brincalhão, o senso de humor está sempre presente nas postagens dos membros da minha comunidade. Eu mesmo adoro entrar lá para dar uma bagunçada, e isso cria uma cumplicidade com as pessoas que frequentam aquele ambiente, tornando-o descontraído.”


Um dos responsáveis pela revitalização da Lapa, João Callado, cavaquinista do Grupo Semente, entretanto lembra que a criação de “intermediário” as vezes é preciso devido à falta de tempo para colocar na web as novidades. “Têm dois fãs da Teresa Cristina e Grupo Semente que nos ajudam muito na divulgação de shows e lançamentos de CDs pelo Orkut”
completa o músico.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

'O Globo' ganha versão para Kindle

O jornal "O Globo" se tornou na terça-feira, 7, o primeiro jornal da América do Sul a ter uma versão para o Kindle. Para quem não conhece, o Kindle é um aparelho criado pela empresa Amazon que lê e-books e outros tipos de mídias digitais.

O jornal já está disponível tanto para assinatura, que custa US$ 17, 90 (cerca de R$ 27), como para venda avulsa, que sai por US$ 0,99 (cerca de R$1,70) através do site da empresa. Quem escolhe assinatura recebe o jornal em seu Kindle por volta das 6h da manhã, desde que o aparelho esteja em local com acesso à rede 3G de compartilhamento de dados.

Todas as editorias estão presentes com exceção dos jornais de bairro e dos classificados. Por questões de limitação do aparelho as fotos só podem ser vistas em preto e branco e tabelas não podem ser enviadas.

O Kindle pode armazenar até 1.500 publicações entre livros, jornais e revistas. Pesando apenas 289 gramas, ele permite que o usuário faça marcações e anotações e ainda possui um mecanismo de leitura em voz alta. Além disso, consome pouca bateria e com uma carga única o usuário pode ficar entre quinze (se o acesso à rede estiver desligado) e quatro dias (com o acesso à rede ligado) sem precisar recarregá-lo.

Cinema: uma forma de aprendizagem

Na XXXI Jornada de Iniciação Científica da UFRJ, Gisele Pascale de Camargo Leite, aluna do 4º período de Pedagogia apresentou o seu trabalho sobre o uso do cinema na educação das escolas, com o título: " Artistas, colecionadores e mágicos para ensinar cinema às crianças e adolescentes."

Gisele Pascale está junto com um grupo de pesquisa pedagógica sobre como o cinema pode proporcionar um ato de criação e ser uma forma de aprendizagem. O estudo tem como objetivo ampliar o repertório dos professores e alunos além de introduzir história e elementos de linguagem cinematográfica. O papel do filme nesse caso é provocar uma motivação nos alunos para aprenderem como um ato criativo, além de trabalhar com a imaginação e expressão dos alunos, o que não são trabalhados normalmente na sala de aula. Pascale enfatiza que devemos pensar o filme como um gesto de criação, pois, assim poderemos fazer os alunos compreenderem o processo de criação que os cineastas passaram, ajudando-os nos trabalhos a serem desenvolvidos em sala de aula.

Os alunos trabalham com enquandramentos de cena feitos com cartolina, e a imagem que aparece na abertura do papel vai ser trabalhada e ela terá uma história a ser criada pelo aluno. O material didático inclue fotos artísticas, trechos de filmes, poesias, jogos, exercícios práticos, apostilas, livros
e blog para fazer a turma interagir e colocar os vídeos criados em sala. Os recursos mecânicos também são variados: marcos para enquadramento, câmeras filmadoras e fotográficas, recursos de som e iluminação.

O estudo foi posto em prática este ano, na escola CAP UFRJ tendo resultados positivos, não só por parte dos professores, mas também dos alunos que se envolveram bastante no projeto e se sentiram motivados a fazerem seus trabalhos.

Guerra dos sexos em Atenas

Com base na deusa grega Atená, Angélica Barros contrastou o espaço feminino e o masculino na sociedade ateniense em sua palestra nesse segundo dia da XXXI Jornada de Iniciação Científica da UFRJ. Analisando imagens desenhadas em vasos de cerâmica, a aluna de história mostrou que a deusa resume em si as figuras de soldado e mãe, principais papéis desempenhados pelos homens e mulheres, respectivamente, desta Polis (cidade).
Angélica Barros destacou o espaço privado, doméstico (oîkos), como principal área de atuação da mulher ateniense. Apesar de terem aulas de leitura, cálculo e música com suas mães, eram criadas exclusivamente para casar e ter filhos. Atená se aproximaria dessa figura feminina ao receber um filho concebido pela terra (Gaya), revelando seu instinto materno.
A figura masculina representa o outro extremo, a criação para o espaço público. A educação do homem de Atenas se baseava em três pilares: corpo, alma e intelecto, promovendo um equilíbrio para seu ser. A ginástica, a música e a gramática eram, respectivamente, as atividades que cumpriam esse balanceamento. Angélica Barros frisou que os homens deviam estar sempre preparados para a guerra, a defesa de Atenas era sua principal ocupação.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Funk: entre a dança e o fuzil

O baile funk foi para a berlinda nesse segundo dia da XXXI Jornada de Iniciação Científica da UFRJ. Os alunos Pedro Gusmão, Ana Carolina Pinto da Gama e Fernanda Rimes confrontaram os bailes comerciais – onde a entrada é paga – e os realizados em comunidades, argumentando que esses dois são espaços simbólicos que traduzem a relação do funk com os freqüentadores e com o ambiente onde acontecem. O grupo se mostrou surpreso com a descoberta de que as festas comerciais não são mais recatadas que as outras, a popularidade da pornografia nas letras das músicas e o modo de dançar são os mesmos.


O público dos bailes comerciais tende a ser mais diversificado, incluindo pessoas de classe média. Contudo, os hábitos não são muito diferentes: a dança, a valorização do corpo e a preferência por músicas originais, repletas de palavrões e pornografia, predominam. O grupo destacou que, ao contrário do que era esperado, o flerte é mais explícito nas festas comerciais, e levantou a hipótese de que isso ocorre porque, nas de comunidades, as pessoas já se conhecem.


O uso de drogas, questão sempre levantada quando se fala de favela, é feito, na maioria das vezes, livremente nos bailes sediados em comunidades. Já nos comerciais, que contam com vários seguranças profissionais, essa prática é velada, mas também ocorre. Segundo Gusmão, “nos bailes de comunidades, o fuzil entra no lugar da segurança”, ou seja, são os traficantes que controlam o lugar.



Os bailes funk comerciais contam com mais estrutura – banheiros, camarotes, etc. – do que os de comunidades. Estes são mais informais, não tem um local específico para acontecer, e mobilizam os vizinhos, que montam suas barracas ao redor para vender comida e cerveja. Além disso, segundo o grupo, igrejas também aproveitam a situação para distribuir panfletos e anexar cartazes com as suas diretrizes.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

A importância da internet para a eleição de Obama

Dentro da Jornada de Iniciação Científica, Artística e Cultural promovida pela UFRJ, o aluno do curso de Jornalismo Maurício Meireles, apresentou, na última terça-feira (06/10), seu trabalho sobre o tema "Eleição e internet: a influência da comunicação distribuída no processo eleitoral democrático". Em apresentação realizada na Escola de Comunicação (ECO) da UFRJ, ele destacou o caso do atual presidente norte-americano Barack Obama, eleito recentemente, em 2008, com grande apoio dos internautas e usuários das novas mídias digitais.

Segundo o estudante, a campanha desenvolvida na internet de forma espontânea por alguns eleitores contagiou grande parte da população, principalmente os jovens, que são maioria na rede virtual, o que contribuiu significativamente para a vitória histórica do primeiro presidente negro dos Estados Unidos. Maurício defendeu a ideia de que, por se sentirem mais conectados aos projetos eleitorais de Obama através da web, houve um suporte maciço vindo dos usuários desse meio.

A afirmação feita foi comprovada através de alguns números estatísticos: 2 milhões de americanos criaram perfis em sites de relacionamento para incentivar o candidato democrata, a maioria utilizando o slogan "Yes, we can"; 55% da população adulta em idade de votar usou a internet para se engajar nas eleições, sendo 74% dessas pessoas eleitores de Obama; e mais de 7 milhões de ligações, feitas por apoiadores do presidente, foram registradas para eleitores indecisos às vésperas da eleição, no projeto "Call for change".

O engajamento via internet serviu ainda, de acordo com o trabalho apresentado, para comprovar que o fracasso da campanha democrata às eleições presidenciais de 2004, com o candidato Howard Dean, não se deveu a arrecadação de fundos online. Na ocasião, a iniciativa foi massacrada pela grande mídia e o importante estado de Iowa acabou não votando a favor de Dean, o que foi decisivo para o resultado final. De acordo com Mauricio Meireles, a utilização da web como ferramenta para campanha política não foi uma ação inovadora, mas consolidou com êxito uma estratégia que já havia sido desenvolvida anteriormente.

No caso de Obama, o que se configurou foi uma oposição à campanhas massificadas pelas mídias tradicionais. A propaganda democrata serviu como contrapeso à forte presença republicana nos rádios e, com a grande adesão dos internautas, o papel das redes virtuais se esquiparou ao dos jornais, tendo percentuais semelhantes de influência sobre a opinião pública. Na visão de Maurício, a vitória de Obama, ademais dos fatores contextuais que a marcaram como um dos principais acontecimentos históricos das últimas décadas, serviu também para pôr fim ao descrédito quanto a capacidade da internet em mudar os rumos de uma eleição.