quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Riso contra mesmice

A internet não ameaça os velhos modelos midiáticos apenas por possibilitar que uma nova série de interlocutores se expresse. Mais do que isso, esses interlocutores fazem uso das novas esferas para, justamente... ridicularizar as antigas formas de comunicação.

Desde simples sátiras criadas por quem discorda de exageros numa campanha política até manifestações bem mais complexas, a rede é pródiga em demonstrar como os meios de comunicação habitualmente seguem fórmulas mecânicas e vazias.

O site americano The Onion é um dos melhores exemplos de sátiras aos modelos tradicionais do jornalismo. Repleto de notícias falsas e absurdas, impressiona pela pelo formato idêntico aos da mídia tradicional e pela verossimilhança. Já noticiou-se por lá que a China pretende assumir o lugar dos EUA como maior idiota do mundo até 2020, por exemplo, ou então que uma nova lei vai proibir o casamento entre pessoas que não se amam. Ao rirem da mídia, acabam por rir também das fraturas da sociedade.

Criado como um jornal universitário em 1988, o grupo cresceu em tamanho e popularidade até o ponto de postar vídeos na internet em 2007. Muito bem produzidos, os vídeos satirizam modelos tradicionais da televisão. Há desde programas de esportes até de debates. Todo o arquivo pode ser conferido no site do programa e também no youtube, e alguns dos vídeos contam com legendas em inglês.




Aprenda a tirar o raio-x de uma foto

Profundamente utilizada para fins eróticos desde seus primórdios, a web não serviu apenas para popularizar vídeos amadores e fitas secretas de celebridades ou deixar a pornografia gratuita. Ajudada pela tecnologia digital, hoje é possível também desnudar a imagem de qualquer pessoa sem que ela perceba.

O segredo está em funções de um programa de código livre chamado Gimp. Explorando contrastes e sombreamentos de uma imagem, o programa permite saber as formas escondidas por baixo dos panos de uma pessoa, como demonstram as imagens abaixo:




Para que o programa funcione, as fotos precisam atender a alguns critérios. A pessoa retratada precisa estar em destaque na imagem e não pode vestir tecidos muito opacos. Ainda assim o método é simples. Discussões éticas à parte, para quem quiser aprender, é só assistir abaixo.

Alternativas à vigilância na Web

Embora ainda incomum no Brasil, a repressão à circulação de informação na web faz com que usuários de outros países procurem maneiras alternativas de navegar livremente. Para isso, precisam lidar principalmente com a concentração do hardware, que, sobretudo nos Estados Unidos, acaba por permitir que governos tenham acesso a tudo o que se faz online.

Para chegar até a navegação dos usuários, os órgãos investigativos em geral abordam primeiro os servidores de Internet, responsáveis pelas conexões entre os usuários e à rede. Para se ter uma ideia, embora os processos contra usuários ainda sejam relativamente pouco numerosos, muito mais comuns são as cartas que internautas recebem em seus lares notificando infrações – isto é, em geral downloads – e ordens para que os arquivos sejam apagados dos computadores.

Há várias formas de tentar driblar a censura. Uma das mais comuns é a utilização do programa Peerblock. Gratuito, o programa faz uso de uma série de IPs para controlar quem pode e quem não pode ver o que você está acessando. Isso significa que o utilitário possui uma lista, atualizada constantemente, de endereços considerados como suspeitos de pertecerem às indústrias fono e cinematográfica, a órgãos judiciais, etc, e, quando identifica um deles na sua navegação, o bloqueia, impedindo quem está do outro lado de ver o que acontece online.

Embora bem-intencionado, o Peerblock é bastante questionado quanto à sua eficiência por muitos internautas, uma vez que adquirir um novo endereço de IP é algo bem simples e barato, e seria portanto impossível saber qual deles esconderia entidades com fins indesejáveis. Para tentar lidar com o problema, o programa atualmente já bloqueia mais de um bilhão de endereços, entre eles os de órgãos das Nações Unidas e de entidades filantrópicas, o que evidentemente limita a navegação de quem o utiliza.

Uma alternativa mais segura, porém não-gratuita, é assinar um servidor de VPN (virtual private network, rede virtual privada). Com uma proposta similar à dos servidores Proxy, porém funcionando em todo o espectro da rede, esse tipo de serviço filtra toda a navegação que você realiza com a web, escondendo tudo o que é acessado até mesmo do seu provedor de acesso. Em geral, os servidores de VPN ficam hospedados em diferentes países, o que dificulta o acesso de órgãos investigativos locais. Como dito, não é gratuito e também há quem diga que atrapalha na velocidade da navegação. Ainda assim, as opiniões gerais são de que esses serviços tem melhorado e tem um custo-benefício baixo, podendo ser encontrados por preços entre cinco e 15 dólares por mês. Alguns exemplos de VPNs famosos são o Ipredator, criado pelos fundadores do Pirate Bay e hospedado na Suécia, e o www.vpngates.com, com servidores nos Estados Unidos, Alemanha e Inglaterra.

Youtube transforma relação com a imagem

Coordenador do Pontão de Cultura Digital da Escola de Comunicação da UFRJ, Adriano Belisário, ex-aluno da Escola e ativista a favor de mudanças na lei dos direitos autorais, nos concedeu uma entrevista por ocasião do aniversário de cinco anos do Youtube. Abaixo, Belisário comenta a nova relação com a imagem surgida a partir do site, quais implicações nos direitos autorais essa nova relação traz consigo e comenta algumas diferenças entre bens intelectuais e bens materiais.

P: A ideia da apropriação da imagem mudou com o youtube?

A: Tanto o youtube quanto a proliferação de equipamentos de gravação de vídeo de baixo custo aceleraram vertiginosamente a apropriação da linguagem imagética que já vinha ocorrendo desde o final do século passado. O youtube em específico alterou a distribuição deste conteúdo, modificando o modelo clássico de broadcast para a lógica "on demand"/sob demanda no mundo online. A facilidade de publicar um vídeo no site do google gerou também mudanças estéticas que trouxeram à tona uma produção caseira ou improvisada de imagens, que por vezes é criticada ou ridicularizada, mas que possui um inegável valor sob o ponto de vista da apropriação tecnológica.

P: É possível aplicar os mesmos padrões da propriedade material à propriedade intelectual?

A: Definitivamente não. A propriedade intelectual trata-se na verdade de um monopólio artificial criado pelo Estado que se subordinou aos acordos internacionais desenvolvidos pelos países ditos de primeiro mundo. Ao contrario das coisas tangíveis, o exerc~icio da propriedade privada com os bens intelectuais só pode ser feito artificialmente, pois a própria natureza das criações da mente humana não permite uma apropriação exclusiva. Os bens intelectuais não são escassos: se você me empresta seu carro, você fica sem ele. Se você me conta uma ideia ou uma canção, você não se priva delas.

P: Quando o youtube começou, trechos de filmes, séries, músicas, tudo estava amplamente disponível lá. Depois as gravadoras começaram a retirar sistematicamente material do site. Como essa retirada deve ser encarada? A internet deve seguir padrões mais rígidos nos próximos anos ou é uma medida paliativa que será facilmente burlada?

A: A política de remoção de conteúdo é ineficaz num ambiente como a Internet, que prima pela descentralização da informação. Não é o caso do YouTube, mas recursos online que utilizam tecnologias p2p praticamente inviabilizam a remoção de conteúdos. O google e em menor medida a própria industria do entretenimento ja compreenderam isso e estão buscando novos modos de lidar com esse novo cenário. Desde o ano passado, por exemplo, o youtube trabalha com um sistema de remuneração a alguns usuários que possuem vídeos altamente populares. O autor assim ganha uma pequena quantia toda vez q seu video é assistido, gracas aos anuncios publicitários. É uma medida que ainda não foi adotada em larga escala, mas funciona também já em outros sites como o metacafe.

P: É possível mudar a relação de propriedade com os bens intelectuais sem que haja transformações na relação de propriedade também dos bens físicos? O cenário em que o artista depende de uma remuneração do google ao invés de depender do mercado atual é melhor para o artista?

A: Tem como mudar sim, vide a reforma do direito autoral, que não vai mexer na propriedade da grande mídia. Só mudará a legislação sobre PI e eles estão esperneando pacas. Não vai na propriedade de bens físicos, digo. A diferença é que na internet ou o contato do autor é direto com o público, ou é uma mediação "soft", digamos assim, Como a do Google, que converte as visitas em lucros pro produtor. Aquela mediação hardcore da industria do entretenimento no século passado, quando só existia uma via para se lançar um produto cultural ou algumas vias na mão de poucos é hoje inviável.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Aplicativos em Redes Sociais

Conversei através do Gtalk com Cynthia Nunes, freelancer formada em design e especialista em redes sociais. Cynthia realiza consultoria para diversas empresas em projetos para mídias digitais, como aplicativos para Orkut, Twitter e Facebook.

Veja os high-lights do nosso papo:

Lidiane Queiroz: Atualmente, em que mídia os anunciantes estão investindo mais?

Cynthia Nunes: As verbas para TV, mídia impressa, rádio e revistas estão sendo cada vez mais reduzidas. No ano passado os investimentos em publicidade online aumentaram cerca de 40% e desses 40%, quase a metade foi investida em mídias sociais. Ou seja, este é um mercado em expansão - eu que o diga!rs - e parece ser bem promissor.

L. Q. O que leva anunciantes a colocarem sua marca em redes sociais?

C. N. Olha, cada empresa busca coisas diferentes ao traçar um projeto de comunicação via aplicativo de redes sociais. Os mais comuns são o estreitamento da comunicação com os clientes, o desejo de associar a marca a um determinado universo, permitir que os consumidores auxiliem no desenvolvimento dos produtos... Além disso, muitos estudos de núcleos de pesquisa mostram que investir em redes sociais ajuda as empresas a crescer. Segundo um pesquisador da área: "Estar presente nas mídias sociais já não é mais um diferencial de uma empresa, já é quase uma obrigação. Seus clientes estão lá e seus concorrentes também".


L.Q. Por que é tão importante atingir os consumidores de internet?

C. N. Basicamente por causa do poder de alcance das pessoas quando elas estão conectadas. Enquanto uma pessoa atinge cerca de 11 no mundo real, na web essa mesma pessoa pode chegar a atingir 200% mais!

L.Q. Qual é a rede social mais usada no mundo? E pelos brasileiros?

C. N. O Facebook é a rede social mais usada no mundo. Já no Brasil, a "menina dos olhos" é o Orkut.

L.Q. Então essas são as melhores redes sociais para divulgar uma marca?

C. N. Eu diria que além do Facebook e do Orkut, o Twitter é um bom espaço para a criação de aplicativos de marketing.

Cada um tem os seus pontos positivos. O Twitter registra um constante crescimento no número de usuários e, além disso, é uma boa ferramenta para dar notícias sobre a empresa, fazer promoções, anunciar lançamentos... Já o Facebook tem mais de 200 milhões de usuários e sua própria arquitetura facilita a inserção de jogos e aplicaticos, uma vez que os usuários já estão familiarizados. O Orkut, além de ser uma verdadeira febre no Brasil, também tem feito sucesso com os aplicativos lançados e é um ambiente que tem uma cara mais descontraída e despretenciosa que, se explorada com inteligência, pode se tornar o ambiente ideal para o relacionamento empresa-consumidor.


LQ. O que são aplicativos para redes sociais?

Aplicativos são programas simples que tem como objetivo executar tarefas práticas e rápidas e, normalmente, apresentam uma interface amigável. No caso das redes sociais, os aplicativos funcionam como uma extensão do seu produto no site, ou seja: uma funcionalidade que permite que o usuário execute tarefas, jogue etc, imerso no universo da sua empresa.

L.Q. O mercado de aplicativos é movimentado?

C. N. Sim, e essa movimentação vem crescendo cada vez mais. Em 2009, os aplicativos do Facebook movimentaram mais de meio milhão de dólares!


LQ. Você pode dar um dica para pessoas que desejam criar utilizar aplicativos como forma de marketing?

C.N. Claro! Ai vai: crie aplicativos para um público-alvo bem definido; interaja com o consumidor através das redes; produza conteúdo; crie aplicativos que sejam fáceis de usar; permita que o consumidor contribua com a aplicação; permita que ele customize o aplicativo; rankings fazem sucesso; faça um aplicativo "bonito", informativo e divertido.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Site da CBN terá conteúdo para deficientes auditivos

No dia 9 de julho, a CBN dará início ao projeto Rádio em Libras, criado a partir de parceria com a ONG Vez da Voz. A emissora vai disponibilizar parte de seu conteúdo em Libras, a linguagem brasileira de sinais, tornando-se acessível aos cerca de seis milhões de brasileiros com deficiência auditiva.

"Esta ação é inédita no Brasil porque uma mídia que só era útil aos ouvintes, agora também passa a ser acessível aos surdos, por meio da Internet", afirma Cláudia Cotes, presidente da Vez da Voz.

Na primeira fase do projeto, o site da CBN vai receber, além de conteúdos recentes já traduzidos pelos intérpretes de Libras da ONG, o boletim "Cidade Inclusiva", apresentado por Cid Torquato. A parceria prevê ainda a criação de noticiários especiais com informações sobre política, economia, meio-ambiente, ciência, cultura e esportes.

Mix leitor-d: O e-reader 100% nacional


Depois do Kindle e do Sony E-Reader é a vez do Brasil entrar no mercado dos e-readers. A empresa pernambucana Mix Tecnologia, em parceria com a Carpe Diem Edições e Produções lançarão em julho deste ano o primeiro leitor de e-book com tecnologia 100% nacional e patente requerida no seguimento de e-readers: o Mix Leitor-d. A previsão de preços está entre R$650 e R$1,1 mil, dependendo do modelo. O Básico, com capacidade de 1 GB, será suficiente para 500 livros, enquanto o Premium, com 4GB, pode armazenar até 1,5 mil livros.

O equipamento mede 10 cm X 15 cm e possui uma tela de seis polegadas. Para os amantes de literatura, a interface promete ser simples e diferenciada: a tela possui tecnologia E-Link, que não encandeia o leitor, tornando a leitura confortável mesmo sob um sol causticante. Outro benefício é o gasto de bateria apenas na troca de páginas, tendo o leitor capacidade de mudar até 8 mil páginas sem descarregar.

O foco do produto é a plataforma educacional. O Mix leitor-d possui a ferramenta interatica Interquiz (IQ) e o Wi-AA (administração acadêmica sem fio) que permite ao aparelho ser integrado a uma rede administrativa e ao aluno acessar informações sobre a instituição como notas, boletins, horário das aulas e provas. Ele possui outros benefícios escolares, como tradutor, dicionário, marcador de texto e de página, além da economia de papel, no material didático e no peso nas mochilas dos estudantes. Diego Mello, gerente do projeto nos dá mais detalhes sobre o produto.

Que tipos de conteúdo eu posso ler no Mix leitor-d?

Diego Mello: Livros, revistas, jornais, blogs, sites e arquivos em PDF, TXT e Word, entre outros. Contudo, ao invés de restringir o acesso a uma única loja virtual, como faz o Kindle, da Amazon, o usuário poderá se conectar as páginas que quiser. O objetivo é fornecer a maior quantidade de conteúdo para o público brasileiro, que poderá fazer a aquisição diretamente nos sites visitados. Com nosso produto, o leitor vai ter tudo que for de domínio público na internet. O aparelho também reproduz arquivos de áudio em MP3 e imagens JPG, GIF, PNG e BMP.

Como o e-reader brasileiro lançado pela Mix Tecnologia se difere dos demais já a venda no mercado internacional?

DM: Queremos transformar nosso produto em uma ferramenta de democratização da informação e do conhecimento. O seu diferencial é uma ferramenta chamada Interquiz (IQ). Ela pode ser acionada com um botão e, no estilo quiz, faz perguntas aos usuários sobre o conteúdo disponibilizado na tela. Isso abre uma perspectiva interessante do seu uso como livro didático. Numa sala de aula, o aluno pode estar lendo sobre História do Brasil e no mesmo momento optar por responder questões e ter comentários sobre o tema ou o professor de um cursinho poderá usar o leitor para passar exercícios.

O Senhor considera que o preço é compatível com a sua implementação nas redes de ensino?

DM: Talvez estejam caros quando pensamos que é possível encontrar um notebook por R$1,4mil, mas esses portáteis são menos apropriados para a leitura e cansam a vista. Além disso, se pensarmos no preço de um livro e no fato de que o Brasil é um dos países que mais compram livros didáticos, o eletrônico pode não ser tão caro. Um livro custa em média R$50 no Brasil, mas um título técnico, de medicina, pode chegar a R$800. É claro que isso hoje parece longe da realidade, mas se pensarmos na indústria do celular que há 15 anos estava engatinhando, não é tão distante.

Para mais informações assista ao vídeo da apresentação de Diego Mello e Murilo Marinho no seminário Educação para o Empreendedorismo Tecnológico realizado pelo Jornal do Brasil no dia 25 de fevereiro.

Os livros eletrônicos são uma tendência sem volta e em curva ascendente. Resta agora esperar para ver se a revolução eletrônica literária conquistará definitivamento o público brasileiro.